Nos anos sessenta, à margem da Rodovia de Moema, a infância era demarcada pela escassez e pela busca incansável por um território comum. Em um cenário onde uma bola de couro era o objeto mais valioso e cobiçado, a jornada de um grupo de meninos revela como a frustração infantil pode ser o estopim para a construção de uma identidade coletiva duradoura. Esta obra narra a transição entre o sonho solitário e a consolidação de uma agremiação que, nascida da poeira e da improvisação, terminou por moldar a própria geografia social do bairro. Ao revisitar os embates sobre o campo de terra batida sob a luz de um posto de gasolina, o relato evoca a força da união e a persistência de quem não aceitou a passividade imposta pela rotina. Mais do que uma crônica esportiva, este texto é um testemunho sobre o valor da cooperação e a capacidade de transformar um desejo passageiro em uma instituição que define, até hoje, o pertencimento de uma comunidade. Uma leitura sobre o que acontece quando a vontade de um pequeno grupo se alinha ao propósito de edificar um legado coletivo perene.
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