Machado de Assis subverte a tradição gótica neste conto de terror clínico — um de seus clássicos mais sombrios — ao substituir o tradicional pavor provocado pelo sobrenatural por um advindo da realidade psicológica e biológica. Por trás da fachada de uma moderna casa de saúde e da frieza da medicina, esconde-se uma perversão assustadora. O medo não nasce do sobrenatural, mas da ciência médica. Evocando os experimentos biológicos de Frankenstein e o sadismo cirúrgico de Jekyll, o terror vem dos tecidos expostos e da anatomia. A repulsa física é a ferramenta cirúrgica do autor para expor o prazer secreto que brota da dor alheia.
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