Na psicologia junguiana, a sombra representa o conjunto de aspectos da nossa psique que rejeitamos, reprimimos ou negamos. São sentimentos, impulsos, desejos e traços que não correspondem à imagem idealizada que fazemos de nós mesmos — e por isso acabam escondidos no inconsciente. No entanto, o fato de não reconhecermos a som-bra não significa que ela deixe de existir. Ao contrá-rio, quanto mais tentamos ignorá-la, mais ela encon-tra formas sutis (ou intensas) de se manifestar: em reações desproporcionais, julgamentos, projeções sobre os outros, ou em padrões repetitivos de dor e conflito. A sombra, porém, não é apenas negativa. Dentro dela também estão guardados talentos, forças e po-tências que ficaram abafados por medo, vergonha ou inadequação. Jung dizia que a individuação — o pro-cesso de tornarmo-nos inteiros — só acontece quan-do reconhecemos e integramos tanto a luz quanto a sombra em nós.
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