Procurei Marina em todos os lugares impossíveis. Encontrei-a em nenhum. Escrevi-a em todos. Um intérprete de libras traduz não os gestos das pessoas, mas seus silêncios. Uma enfermeira de UTI ouve as palavras que os moribundos não tiveram tempo de dizer. Um falsário descobre que falsificou as próprias memórias. Uma bibliotecária cataloga os livros que nunca foram escritos até o dia em que os personagens começam a escapar. À primeira leitura, são quinze contos de fantástico imediato. À segunda, revelam uma arquitetura secreta: nomes que se repetem, números que insistem, uma mulher chamada Marina que atravessa todas as páginas sem aparecer em nenhuma. Há ainda um décimo sétimo conto. Mas ele não está aqui dentro e só o livro lhe dirá como chegar. Arqueologia do Impossível pede para ser lido devagar, num tempo que insiste em ser rápido. Releia depois. Você verá o que da primeira vez não viu.
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