Ao fundarem a Belair Filmes, Rogério Sganzerla, Julio Bressane e Helena Ignez iniciaram um experimento que funcionou no diapasão do sonho, da pretensão ilimitada, do desajuste desmedido, do confronto sem rodeios. A inconformidade com o presente é a linha geral que traça contradições avolumadas entre falas e filmes, na contemporaneidade e no futuro. Fazer cinema propondo, em parte, negá-lo é a condição dialética que torna a Belair um evento singular para meditar sobre um entre-lugar. Em sua época, a produtora foi notada como um fracasso ou mesmo um equívoco, o que irá habilitar mais tarde a expressão terremoto clandestino, de origem concretista e afeita à recuperação erudita da margem. Pequena, mas grande; notável, mas desapercebida; efêmera, mas longa. Não será um equívoco enxergá-la como sintonizada à vanguarda. Para Sganzerla, à época, o diretor de vanguarda, papel que ele mesmo vai se autodesignar, se resume a querer fazer o que não se pode fazer, ou seja, fazer um filme voluntariamente péssimo e livre ou ao menos equacionar essas questões.
Veja mais