Oito anos de idade. Foi com essa medida que o destino de Boaventura Ribeiro dos Santos foi arrebatado pelo galope dos cavalos e pela poeira das estradas gaúchas. O que deveria ser o aprendizado das letras tornou-se, forçadamente, o domínio do gatilho entre combatentes de uma terra em chamas. João Altair A. Santos reconstitui aqui a trajetória de um homem que sobreviveu à própria infância em meio à fúria de revoluções, apenas para encontrar a verdadeira liberdade na solidão das matas paranaenses. Esta obra percorre o itinerário de quem trocou a farda de sargento pela autoridade silenciosa nas margens do Rio Tapera. Longe dos registros oficiais que apenas desumanizam quem neles habita, o relato mergulha na crueza de uma existência que se recusou a ser engolida pelas convenções. Ao enfrentar desde a hostilidade dos povos da floresta até o ímpeto da Coluna Prestes, Boaventura forjou seu caráter na renúncia ao teatro dos grandes conflitos. É uma crônica sobre a persistência de um indivíduo que, após ver o mundo arder, escolheu o silêncio como sua última e inexpugnável fortaleza, legando a imagem de um homem que foi, acima de tudo, o protagonista de sua própria e solitária revolução.
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