Verônica foi declarada morta ao nascer. Criada entre igrejas frias, culpas e silêncios em uma pequena comunidade religiosa do interior sulista, ela cresce dividida entre a devoção e o desejo, o fascínio pela morte e a fome de vida. Diante de um pai que abandona a família em busca da sacralidade e sob o manto de uma avó incorruptível, a protagonista experimenta o peso da negligência justificada por uma causa maior. É em meio a perdas sucessivas e a um luto impossível que Verônica descobre o custo de ser o rebento de nome santo que prenuncia o declínio de uma família de comerciantes. Com uma linguagem onírica e dolorosamente humana, a narrativa constrói um universo lúdico, de tonalidade quase cômica, em torno da senda de uma garota marcada pela hostilidade e pelo desamparo, tentando cavar seu próprio lugar na linhagem de mulheres que a antecederam.
Veja mais