Entre mortos e feridos, ninguém se salvou! Essa paráfrase do ditado popular (Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!) poderia ser considerada uma distorção de sentido. E o uso do termo distorção vem bem a calhar. No texto que apresento, demonstro interesse pelas distorções, pelo esticar, pelas torturas a que estão submetidos corpos de seres que já foram humanos. Foram. Não são mais, embora ainda preservem alguma característica de sua humanidade, a saber, a dor. A primeira parte da paráfrase, entre mortos e feridos, talvez merecesse uma realocação de sua pontuação: entre mortos, feridos. Isso porque os corpos que me interessam e que espreito já estão mortos. Não apenas isso, mas encontram- se feridos em seu destino, além do fim. (...) Esse outro mundo de sofrimento não exatamente conhecemos, mas o imaginamos. E, no geral, nele ninguém se salvou. É o mundo dos que se perderam e agora são eternamente feridos.
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