Quem visita a foz do rio São Francisco e contempla o antigo Farol do Cabeço, ícone apoteótico, solitário e estranhamente resistente ao tempo, maresia e ondas do mar, não percebe que a visão corresponde apenas à ponta do iceberg, e que a função da estrutura atualmente é a de sinalizar o local exato que uma comunidade pesqueira viveu por mais de um século, mas que sofreu um processo de mobilidade coletiva compulsória. Jamais consegue- se identificar que naquele mesmo local repousa submergida uma ilha que chegou a comportar aproximadamente 400 pessoas e que foi registrada como primeiro sítio arqueológico subaquático em Sergipe. Esta obra apresenta uma discussão pautada nas experiências empíricas do autor, investigação documental e análise etnográfica, além de fotografias e transcrições de entrevistas dos ex-moradores da antiga ilha fluviomarinha do Cabeço, que ficava localizada no município de Brejo Grande em Sergipe, na região da foz do Velho Chico.
Veja mais