Patrícia Oliveira, em Entre rosários e bacamartes, revelanos seu encontro com as mulheres do Arraial do Belo Monte, ao retirálas do silêncio a que foram submetidas pela historiografia brasileira. Mulheres, que não só criaram como mantiveram o espaço comunitário e religioso do Arraial. A autora ao cruzar a análise de gênero com o de raça implicitamente aponta para um segundo silenciamento historiográfico, a racialização implementada pela República. Ao questionar o paradigma epistemológico modernizante e funcional que encobriu e encobre os outros e nega identidades culturais preexistentes e existentes, convida seus futuros leitores e leitoras a terem presentes outras lógicas, que sejam capazes de assumir pensares, fazeres e saberes subalternos, periféricos colados à vida. A percepção da subjetividade das mulheres do Arraial, por parte da autora, trouxe consigo a constatação da ausência de lugar das mulheres nos trabalhos e discursos hegemônicos sobre Belo Monte de Antonio Conselheiro. Daí, a necessidade de superar uma leitura linear da história de Belo Monte, leitura pautada pelo predomínio da mentalidade colonialista e eurocêntrica. As narrativas de perfil colonial estabelecem binarismo, cujo resultado é a invisibilização historiográfica, no caso das mulheres do Arraial. A autora elege algumas questões que gradualmente responde ao longo do livro, como: onde estão as mulheres na história de Belo Monte? Quais são suas histórias, seus feitos, seus nomes? Como Antonio Conselheiro se relaciona com elas e ainda como a religiosidade se configura a partir do contexto do Arraial? As mulheres do Belo Monte benzedeiras, parteiras, rezadeiras entre outras transcendem o espaço da casa, estão profundamente inseridas na vida da comunidade em todas as suas dimensões. Ler Entre rosários e bacamartes é surpreenderse com o resgate da figura de Antonio Conselheiro e das mulheres conselheiristas com suas agencias e resistências. Leitura atual e necessária para quem deseja conhecer um pou
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