Os mortos, os mortos não querem medo, não pedem temor, não se alimentam de susto, não rondam a casa pra ver quem se arrepia, não batem porta pra fazer cena, o que eles querem, o que eles pedem, o que eles esperam é lembrança, só isso, um canto simples, uma reza baixa, um aceno de pensamento na hora do café, um gesto de cuidado, uma vela acesa, um prato deixado no canto da mesa gritando eu lembro, eu sei, eu ainda te tenho aqui, porque quando se esquece, quando se apaga o nome, quando se varre a memória, é aí que eles adoecem de vez, é aí que a morte se consome, é aí que vira fim e não intervalo.Estiva
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