EU, MADEMOISELLE E A RAINHA é uma road trip, onde ocorre uma dupla jornada entre a ação (externa) e a percepção (interna). A hábil junção desses dois mundos resulta numa narrativa fluida, instigando o leitor ao próximo capítulo.À medida em que os personagens se desvinculam do seu passado, afastando-se de família, amigos e conhecidos, percebem escapar das garras do controle social, deixando fluir pensamentos, ações e desejos mais íntimos. Reflexões despretensiosas transformam-se em indagações inquietantes, provocantes.O texto é impregnado de forte eroticidade, com aventuras sexuais narradas com elegância e volúpia. Não é, contudo, uma obra pensada dentro da classificação erótica e moralizante. O autor não se dá ao trabalho de separar o sexo como uma categoria à parte.Cada capítulo pode ser lido como um conto, ainda que inseparável do conjunto da obra. Constrói-se a jornada num ritmo fílmico, tanto a narrativa dos ambientes, das paisagens e, sobretudo, dos protagonistas. Cena a cena, costura-se a trama, fazendo evoluir os personagens a uma maior compreensão de si mesmos, de seus sentimentos, medos e desejos.Em suas conversas com a Rainha, o protagonista introduz diálogos sobre filosofias e reflexões acerca de literatura, instigando o leitor ao papel de coadjuvante, tal qual um personagem invisível porém fundamental.Confirmando a grande qualidade da obra, o epílogo surpreenderá o leitor, ao tempo em que revelará a metamorfose da personagem feminina. Contrariando o que parece ser uma estrutura narrativa monomito, nos dizeres de Campbell, o personagem masculino, se revela o anti-herói. A perspicácia dos capítulos finais coroa a narrativa de modo que ao leitor- não obstante o fôlego da obra, que possui mais de 160 capítulos –a aventura esteja apenas começando. E de certa forma é assim, a jornada pessoal de cada um sempre pode estar num novo início.
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