Parentalidade é um neologismo que vem ganhando consistência nos últimos anos e que tende a substituir o termo família. É possível localizar essa preocupação em diversos autoresde diferentes disciplinasextraindo da possível substituição diferentes consequências. Haveria mesmo nesse novo termoe nos discursos que lhe são subjacentesessa pretensão? Sustentar-se-ia tal pretensão na leitura de que a família vive uma crise sem precedentes na atualidade? A parentalidade implicaria um risco para a transmissão familiar? A família como resíduoancorada nas funções materna e paterna e nos modos como pai e mãe se conformam em semblantesestá do lado da estrutura - necessáriamas pendente do que é da ordem da contingênciaou sejaé descompletada pelos traçosposições e valores que prevalecem em uma determinada época no laço social e pela posição singular dos sujeitos implicados em cada uma dessas funções. A psicanáliseao bascular entre o universal e o homogêneo que os discursos sobre a parentalidade veiculame a singularidade inerente à noção de família como resíduofaz comparecer a impossibilidade de recobrimento da falta (condensada no aforismo lacaniano não há relação sexual). De modo que ao PARA TODOS dos discursos sobre a parentalidadeà psicanálise cabe responder reenviando cada família à sua singularidade.
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