Em O fixador de instantes, Mário de Sá-Carneiro almeja o limite máximo da crueldade masculina e apresenta um protagonista — um artista enlouquecido — capaz de um crime hediondo, apenas para preservar um momento sublime. O autor, por meio de uma história à beira do fantástico, recheada da melhor insanidade psicodélica passageira, rasga qualquer amenidade e constrói um dos mais perversos protagonistas masculinos da literatura portuguesa, e tudo isso em poucas páginas de um conto sombrio, fúnebre e igualmente poético. O terror nasce da busca racional por fixar a vida através da morte.
Veja mais