Foi através de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que a poesia de Joan Brossa começou a ser conhecida no Brasil. Cabral, o nosso grande poeta-engenheiro, profundamente afeiçoado a Pernambuco, ao Recife onde nasceu, deixou-se apaixonar também pela Espanha, onde exerceu funções diplomáticas (em Barcelona, Sevilha e Madrid). Sua carreira de representante do Brasil começou, aliás, no ano de 1947, na metrópole catalã; voltou a Barcelona para novo estágio diplomático, em 1967, já como cônsul-geral. De 1947, data o seu contato com Joan Brossa e com o grupo Dau al Set. Cabral exerceu marcante influência sobre o poeta catalão, tanto no sentido de uma poética realista-construtivista, quanto no plano ideológico de acento marxista. Brossa traduz Cabral em 1949, para a revista do grupo; Cabral, que havia adquirido uma prensa manual, edita em plaquette, em 1950, sete dos Sonets de Caruixa do catalão e prologa-lhe Em va fer Joan Brossa (1951), livro decisivo na carreira do poeta. Em 1956, no livro Paisagens com figuras, incluirá um retrato, em traço poético enxuto e belo, do amigo-poeta. (Haroldo de Campos)
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