TDAH, ou um déficit de falta de falta? Inspirada em Lacan, a autora parte da ideia de que a angústia surge quando há excesso de presença onde deveria haver falta. Ao preencher o tempo das crianças com aulas, tarefas e estímulos digitais ininterruptos, impede-se que elas se encontrem com suas próprias faltas, condição necessária para que o desejo se constitua por meio do brincar, da criação e das conversas desaceleradas. Luciane nos convida a refletir: de que déficit falamos quando mencionamos o TDAH, senão o da própria falta? Em um cotidiano marcado por excesso de telas, metas e agendas cheias, a criança muitas vezes encena, no corpo, a angústia familiar. Corre, interrompe, dispersa-se, reagindo a um meio hiperestimulante, enquanto adultos exaustos recorrem a diagnósticos apressados. Sem negar o sofrimento real das famílias, o livro questiona a medicalização da inquietação e propõe uma escuta atenta ao que o sintoma comunica. Quando a infância se torna doença: TDAH entre a angústia e o silenciamento do sofrimento infantil, Luciane Alfradique convoca à clínica psicanalítica orientada pela ética do desejo, devolvendo à criança lugar, tempo e palavra.
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