Fabiana narra a trajetória visceral de uma mulher que, após o colapso de seu casamento e o desmoronamento de sua estrutura social, encontra-se lançada à invisibilidade das ruas. O que se inicia como uma crise pessoal transforma-se rapidamente em um espetáculo de crueldade pública, onde a vigilância digital e a indiferença urbana dissecam cada passo de sua decadência. O percurso é marcado por escolhas desesperadas, incluindo o pedido de sua própria morte a um homem que acaba por se tornar seu único, embora distorcido, ponto de apoio.Nestas páginas, a busca por redenção é confrontada por barreiras sistemáticas, desde a hostilidade estrutural das cidades até a traição familiar que culmina em um confinamento psiquiátrico. Esta obra não oferece respostas fáceis ou lições de autoajuda. Trata-se de um registro implacável sobre a fragilidade da dignidade humana e a facilidade com que o tecido social descarta aqueles que se tornam inconvenientes. Fabiana entrega um relato de proximidade com o abismo, expondo a engrenagem que transforma vítimas em objetos de gestão, questionando se é possível retomar a própria vida quando o passado foi, de forma definitiva, fixado na memória coletiva pela malícia e pela tecnologia.
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