A metáfora Somos Sempre Retorno destaca a importância da infância trazida por Freud desde a sua primeira teoria, Angústia somática (1890), que trata do desenvolvimento do sujeito, das suas experiências e aprendizados na primeira infância, que se refere aos traumas, frustrações e afetos proibidos (choro, desejos, medos, tristeza).O tema refere-se àquela ideia explorada por Freud sobre a noção de que todos os adultos, em algum nível, carregam traços da sua primeira infância e, portanto, podem ser vistos como, em certo sentido, eternamente crianças. Isso é acreditar que não é apenas consciência, e sim que há um inconsciente que contém memórias, desejos reprimidos e marcas psíquicas, e que mesmo com o desenvolvimento do ego, ou seja, a maturação da personalidade, a criança interior permanece como um aspecto importante da personalidade do sujeito.A articulação dos textos acontece entre a teoria freudiana e lacaniana e a crítica à sociedade dos diagnósticos, que é um dos pontos mais fortes e originais dos escritos.A autora assume uma posição de especialista que orienta o leitor, mas que também se coloca no lugar daquele que reconhece os limites do saber frente ao enigma do inconsciente, exemplificando conceitos como a falta constitutiva e o desamparo infantil para explicar as origens da angústia moderna. Conceitos esses que indicam que o ser humano é, por estrutura, incompleto e dependente, criando uma tensão constante entre o desejo e a impossibilidade de satisfação plena, o que impulsiona a busca desenfreada por antídotos na sociedade contemporânea.
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