O deleite do instante se contrapõe à volatilidade da avidez. O ávido requisita a velocidade, quiçá a sofreguidão. O instante é fotografia, condensação, água parada, — incitamento à contemplação. Essas dimensões — opostas — são mobilizadas pela Antologia de Haicais Clássicos. O que, ou quem, virá a seguir, se indaga o leitor, ao superar as páginas, ao ser cativado-impulsionado pela fugacidade de naturezas e por suas inumeráveis possibilidades em verso. A célebre produção de Bashô, fartamente difundida no Brasil, não poderia não ser profusa nesta coletânea. Em poucas e simplificadas linhas: Matsuo Bashô (1644-1694), como se sabe, elevou o haikai (o nosso brasileiro haicai) de um divertimento existente no Japão desde o século XV, à literatura. A partir da associação dos aspectos artísticos e espirituais do haikai, ele consolida um padrão que seria seguido por Yosa Buson (1716-1784) e Kobayashi Issa (1763-1827), na Era Edo (1603-1868). Shiki (1867-1902), poeta e crítico literário que os sucedeu, renova o haikai através da prática e da teoria. Todos estão presentes nesta Antologia, no entanto, sem ofuscar, por exemplo, três entre os dez grandes discípulos de Bashô (Bashô Jittetsu): Jôsô (1662-1704), Kikaku (1660-1707) e Yaha (1662-1740). As traduções desta antologia foram feitas por Edson Iura para a coluna Um Mestre Japonês da página Haicai Brasileiro do Jornal Nippo-Brasil (São Paulo), e publicadas entre os anos de 1999 e 2003. Foram ordenadas à maneira tradicional, por estação, traduzidas para o português e antecedidas dos originais transliterados para o alfabeto latino, de acordo com o sistema Hepburn.
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