Tudo começa com um corpo. Quando o legista Gael Ventura inicia a autópsia de um cadáver encontrado no rio, um detalhe interrompe a rotina fria do necrotério: uma cicatriz em forma de meia-lua. A marca é inconfundível. Pertence à sua irmã Sofia, desaparecida há meses. A partir desse momento, o procedimento técnico deixa de ser apenas um exame médico. Torna-se uma investigação pessoal. Ao tentar compreender o que aconteceu com Sofia, Gael descobre que ela não era apenas uma artista de rua. Seu trabalho documentava uma realidade invisível: desaparecimentos silenciosos, trabalhadores que nunca voltam para casa e comunidades pressionadas por projetos urbanos que prometem progresso, enquanto produzem apagamento. Entre cadernos codificados, grafites espalhados pelos muros da cidade e testemunhos fragmentados de quem vive à margem, surge um padrão inquietante. Por trás dele, uma poderosa construtora parece operar nas sombras de um sistema onde acidentes são convenientes e pessoas podem simplesmente desaparecer. Em Autópsia, Daniel Guedes constrói um thriller urbano intenso, no qual cada pista revela não apenas um crime, mas uma engrenagem maior. Uma história sobre memória, invisibilidade e sobre o preço que se paga quando alguém decide tornar visível aquilo que muitos prefeririam manter enterrado.
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