Corpo não é um livro de contos — é uma vivissecção da própria experiência de sentir. Cada página encosta na pele, lambe a língua, invade o nariz, zune nos ouvidos e arde nos olhos. Michael Gartrell escreve como quem desmonta os cinco sentidos para mostrar suas engrenagens ocultas. Aqui, um travesseiro vira filosofia. Uma maçã vira abismo. Um copo de chocolate quente vira sinfonia. Nada permanece banal: tudo é reinventado pela lente fenomenológica e pelo delírio poético. É Clarice Lispector com pitadas de Husserl, é Merleau-Ponty temperado com Drummond. O leitor não acompanha histórias: mergulha em sensações que queimam e acariciam ao mesmo tempo.
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