Publicado originalmente em 1958, Vodu no Haiti permanece como uma das mais importantes obras etnográficas dedicadas às práticas religiosas no Haiti. Alfred Métraux realizou seu estudo em um momento decisivo para a antropologia, procurando compreender o vodu não como simples sobrevivência africana na diáspora ou superstição popular como a muito foi vendido por hollywood, mas como uma tradição religiosa complexa, formada pelo encontro entre diferentes heranças africanas, o catolicismo e história social de resistência, luta e soberania do povo Haitiano.Sua obra registra ritos, divindades, sacerdotes, cânticos, possessões, cerimônias e práticas mágicas com uma atenção etnográfica incomum para sua época. Ao mesmo tempo, deve ser lida à luz do contexto colonial e intelectual em que foi produzida, reconhecendo tanto sua importância documental quanto as limitações próprias da antropologia do século XX. Mais que um inventário de crenças e cerimônias, este livro oferece um testemunho fundamental sobre a maneira pela qual os haitianos elaboraram, através do vodu, relações entre o mundo dos vivos, os ancestrais e as potências invisíveis. É justamente nessa dimensão que a obra de Métraux conserva seu valor, como documento etnográfico e como porta de entrada para a compreensão de uma das mais ricas tradições religiosas do Caribe.
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