Nessa história narrada em versos, a protagonista se reporta ao marido — com quem vive uma relação disfuncional —, intercalando cenas do cotidiano do casamento com relatos do próprio passado, marcado por violências. Uma narrativa de dor, apagamento e transformação, na voz de uma mulher que tenta se reconhecer em meio a um deserto de gozos interrompidos. A linguagem afiada, pautada na oralidade, conduz o leitor com fluidez. Dia Sagrado, que de sagrado pouco tem, é uma provocação sobre as violações sistêmicas ao corpo e à mente da mulher. A obra também escancara temas como descaso parental e a carga invisível que, com frequência, recai sobre os papéis de esposa, filha e mãe.
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