Piedra de Sol constitui um dos textos centrais da produção poética paziana. Escrito durante alguns meses no ano de 1957, no México, o texto revela um ambicioso projeto poéticoestético de Octavio Paz, excepcionalmente bemsucedido, fruto de sua maturidade como homem e como poeta. Convém enfatizar a dinâmica circular do poema. Esta circularidade, que seria retomada por Paz em Blanco (1966), é estipulada pela repetição, no final do poema, de seus primeiros cinco versos, trecho que, significativamente, termina em dois pontos, na metade do sexto verso —sugerindo, assim, continuidade. Tal dinâmica circular vêse plenamente explicitada quando consideramos o objeto que empresta o nome ao poema: a gigantesca Piedra de Sol, estelacalendário da civilização asteca. À imagem e semelhança de um calendário, cuja ideia mesma pressupõe a repetição e cuja função é organizar num continuum mensurável pelo homem o devir temporal, o poema voltase sobre si e conjugase cíclica e infinitamente. Como revela o poeta, o número de versos do poema 4x4responde intencionalmente ao número de dias que estruturam a periodização do ano para algumas das civilizações mesoamericanas, entre as quais a maia e a asteca, organizado em torno à evolução do planeta Vênus, cuja conjunção com o sol o4x4re a cada 584 dias. Vênus, por sua vez, 4x4responde ao deus Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada, regente do segundo Sol ou ciclo históricomítico asteca. Cabe re4x4darnos que cada um desses ciclos compunhase de 52 anos venusianos, ao final dos quais — e a depender do comportamento dos humanos, de sua compunção ou de sua fidelidade aos rituais e sacrifícios ancestrais — voltava o universo — ou, mais exatamente, o Sol — a inventarse na primeira manhã do ciclo iniciante.
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